sou avesso
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29 anos, quase trinta. E aprendi tanto. Aprendi que a vida pede calma, que a pressa só nos faz perder o que a vida tem de bonito. Que existe mais beleza no inesperado do que a gente imagina. Que mesmo com mil planos, a vida ainda tem esse jeitinho de nos surpreender. Às vezes vai nos virar de ponta cabeça e será incrível. Aprendi que assim como a felicidade, a dor também precisa ser sentida. Que no meio do caminho a gente perde algumas coisas mas ganha tantas outras. Que o que parece impossível, às vezes é só uma questão de mudar a perspectiva. Que cada dia, é um novo dia. Se preocupar mais ou menos, não vai evitar um problema. Problemas acontecem. A vida acontece. Aprendi que os amores são leves e que o que a gente leva dessa vida são as experiências. Cada dia que chorei, cada dia que sorri, tudo só me faz amar a vida ainda mais. A idade dá uma certa sabedoria de vida que é lindo. Perdi o medo de envelhecer e ganhei a vontade de ver mais, de ver, de sentir, de provar, uma ânsia de vida. Entendi que é na simplicidade que mora o extraordinário e que amo criar coisas e deixar pedaços meus pelo mundo. Amo todas as minhas versões anteriores, mas me sinto orgulhosa dessa Kamille que chegou. E que seja só o começo de tanta coisa que vem por aí.


Há muito tempo que pensava em uma forma de voltar a escrever. Nunca senti como se a escrita me pertencesse, era quase como uma forma de fuga imaginária. Eu escrevia para desabafar, para tirar de mim. Aí veio a terapia, veio a ideia de uma agenda cheia e uma vida aconteceu. Não me encontro mais na Kamille que escrevia para desabafar. Vivi muita coisa que queria viver. Dizem que as vezes não conseguir o que você mais quer é uma tremenda sorte. E talvez seja. Pra mim teria sido. Ainda assim, precisei ter alcançado minha meta, ter riscado o check da lista de conquistas da vida adulta.

Eu consegui a vaga que queria, na empresa que queria. E por um (breve) período fez todo o sentido. Até que deixou de fazer e o pior: não me fazia bem. Demorei para olhar a situação de um lugar de distância, afinal estava extasiada na sensação de ter alcançado que quis muito. E justamente isso que me mantinha tão presa em algo que dia a dia, acabava comigo. Já não sabia mais o que era trabalhar sem chorar, terminar o dia sem me sentir péssima e com a sensação quase que constante de não ser suficiente. Nada tirava de mim a sensação. Eu não tinha mais prazer em fazer o que me fazia feliz.

Eu não me reconhecia mais. Me encolhi para caber em algo.

Tanto ouvi falar sobre burnout, que quando me dei conta, estava justamente no meio desse caos de vazios. Me sentia esgotada, vazia, quase que transparente. Podia jurar que fosse desaparecer a qualquer instante. A volta não foi fácil. Precisei olhar para mim, precisei me colocar no topo da prioridade. Ainda que me priorizar custasse caro (nesse caso abrir de um emprego estável numa empresa grande). Foi o necessário e ao mesmo tempo a decisão mais dolorosa. Doeu. E assim abri mão de algo que quis muito, mas me (re)encontrei no processo.

Durante esse regresso, fui surpreendia de tantas formas. Uma nova oportunidade surgiu e me transformou. Entendi que as vezes a gente nem saber o que esperar, pode ser a coisa mais incrível. Conheci novas pessoas, novas conexões e principalmente uma nova Kamille profissional. Hoje escrevo de um lugar de tranquilidade depois de muito tempo navegando no caos. Escrevo para que daqui a um tempo, leia isso e sinta orgulho de todo o caminho que trilhei. Achei que pra viver a vida que eu sonhava, precisava dar tudo de mim. Precisava ser perfeita, dar conta de tudo, trabalhar mais, estudar mais… por muito tempo essa era a minha verdade. Era o meio pra o fim. Criei expectativas, vivi sobre projeções que fiz com base no que “deveria ser”. Tentei me encaixar em lugares que não me pertenciam.

Hoje entendi que ser livre é ter escolha. Ser livre é se escolher.





Sempre pensei sobre qual seria o ponto de chegada. O ponto final. Aquele fim de caminho onde tudo fosse fazer sentido. Não precisei viver tanto assim (alô quase 29 anos) para entender que a vida não acontece na chegada, a vida acontece mesmo é no meio do caminho. Segurar a vida por esperar chegar em algum lugar não faz mais sentido quando você entende que as respostas que procura não estão no fim, mas nesse meio termo emaranhado de coisas. Projetei tantas formas de escrever, mas sempre olhei para o final: isso pode ser um livro? E se eu escrevesse num blog? Tantas perguntas que em comum me levavam para o status de olhar somente para um lugar de chegada. Sem nem se quer me permiti partir, afinal se a chegada é o avesso da partida, algo que está do outro lado, é preciso atravessar o avesso para chegar. Então, afinal o que me impede de começar?

E assim, talvez eu devesse escrever exatamente sobre isso, esse processo incompleto e imperfeito. Escrever é então um misto desse tanto de sentimentos e sensações. A entrega total e imparcial a quem realmente se é, lá no fundo, na essência. Agora posso dizer, ou melhor escrever, com a única certeza de que eu não sei qual é a chegada e sinceramente, não importa.

As vezes a gente precisa mesmo é bordar fora do bastidor. Essa frase pode não fazer sentido para a maioria das pessoas, mas é exatamente essa a minha sensação: sair do que é o comum, sair do que já sei. Explorar o incerto é tão assustador, mas a vida não é, se não um universo de incertezas?

 

Parafraseando o Bordado Empoderado: "grandes confusões antecedem grandes mudanças". Se a chegada é o avesso da partida, sejamos donos dos nossos inícios. Aqui, começa. Sem muita informação sobre fins e metas, apenas com o desejo quase que incontrolável de compartilhar os processos. E como todo caminho, as vezes é necessário recalcular a rota no meio da viagem e tudo bem. O que importa é começar.
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ABOUT ME

Designer, jornalista e pseudo escritora. Sempre tentando conciliar o coração irremediavelmente romântico e uma alma ferozmente solitária. Escrevendo para colocar para foras todas as noias.

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